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A arte da autodeterminação

A arte da autodeterminação

Por Bem Estar Mental
12 fevereiro, 2026
Leitura de 3 min

A autonomia, enquanto qualidade da regulação comportamental, significa agir com sentido de escolha e coerência interna — sentir-se agente das próprias ações, alinhadas com os seus valores (integridade) e expressas de forma genuína e não forçada (espontaneidade). Muitas das decisões que tomamos todos os dias parecem nossas. Mas serão verdadeiramente? Ou estarão moldadas por expectativas externas, recompensas, medo de falhar ou necessidade?

O desafio está em reconhecer e escutar a nossa voz interior, que por vezes se encontra abafada pelas expectativas sociais e pela variedade de valores que nos rodeiam. A boa notícia? A autodeterminação pratica-se.

Alimente os três nutrientes psicológicos essenciais

A autodeterminação fortalece-se quando cuidamos diariamente de três necessidades básicas:

  • Autonomia: Reflita se agiu por convicção ou por pressão e se as suas ações estiveram alinhadas com os seus valores.
  • Competência: Procure atividades que o estimulem a crescer. Evite tanto o tédio das tarefas demasiado fáceis como a frustração das excessivamente difíceis.
  • Relacionamento: Avalie se se sente compreendido, valorizado e autêntico nas suas relações. Cultive vínculos significativos e demonstre preocupação genuína pelos outros.

Transforme o “Tenho de” em “Eu Escolho”

A autonomia não depende do prazer imediato, mas do significado pessoal. A pergunta central é simples: “Isto faz sentido para mim?”. Para transformar obrigações em escolhas conscientes:

  • Encontre o significado: Relacione tarefas pouco interessantes com um valor ou objetivo pessoal. Em vez de depender apenas da força de vontade, procure compreender porque essa ação é importante para si.
  • Integre a tarefa: Reconheça conscientemente a sua importância e os benefícios a longo prazo. Quando aceita o seu valor, a tarefa deixa de ser apenas uma obrigação e passa a ser uma escolha assumida.

Promova a sua autonomia (e a dos outros)

A autonomia apoiada gera cooperação genuína e maior envolvimento. Para promover autodeterminação:

  • Reduza a pressão: Evite ultimatos, comparações e controlo excessivo.
  • Use linguagem de escolha: Substitua “tens de” por “podes”, “que te parece tentares desta forma?” ou “preferes começar por…?”.
  • Escute e valide antes de orientar: Reconheça os sentimentos e o ponto de vista da pessoa antes de dar conselhos. Validar emoções negativas ajuda a reduzir a resistência (“Compreendo que isto possa ser difícil”).
  • Ofereça opções reais: Apresente alternativas e apoie a iniciativa — por exemplo, “Aqui estão duas possibilidades. Qual preferes?”.

Priorize metas que realmente nutrem (intrínsecas)

Direcione o seu tempo e energia para objetivos que promovam crescimento e significado:

  • Crescimento pessoal: Cultive a curiosidade — “O que posso aprender com isto?”
  • Relações significativas: Invista em vínculos profundos e autênticos.
  • Contributo comunitário: Pergunte-se “De que forma posso ajudar?”

Tenha prudência com aspirações externas centradas em riqueza, estatuto ou reconhecimento. Quando se tornam prioritárias associam-se frequentemente a maior ansiedade e menor satisfação.

Autodeterminação no dia-a-dia Pequenos gestos intencionais podem reforçar a sua autonomia, competência e relação com outros:

  • Crie pequenas escolhas: Decida por onde começar, escolha o local onde vai trabalhar ou organize a ordem das tarefas.
  • Estruture o seu tempo: Organize o dia de acordo com as suas prioridades, em vez de apenas responder ao que surge.
  • Procure feedback construtivo: Pergunte “O que posso melhorar?” e valorize sugestões que o ajudem a aumentar a sua competência e eficácia.
  • Cuide das relações: Agende uma chamada breve ou um momento de conversa significativa.

A saúde mental floresce quando vivemos de forma coerente com os nossos valores, nutrimos as nossas necessidades psicológicas básicas e promovemos contextos que apoiem a autonomia — em nós e nos outros. Viver de forma autodeterminada é viver de dentro para fora.

Referências

Appel-Silva, M., Wendt, G. W., & Argimon, I. I. L. (2010). A teoria da autodeterminação e as influências socioculturais sobre a identidade. Psicologia em Revista, 16(2), 351–369.

Bureau, J. S., Howard, J. L., Chong, J. X. Y., & Guay, F. (2022). Pathways to student motivation: A meta-analysis of antecedents of autonomous and controlled motivations. Review of Educational Research, 92(1), 46–72. https://doi.org/10.3102/00346543211042426.

Neufeld, A. (2025). Putting self-determination theory into practice: A practical tool for supporting medical learners’ motivation. The Clinical Teacher, 22(1), e70062. https://doi.org/10.1111/tct.70062.

Patrick, H., & Williams, G. C. (2012). Self-determination theory: its application to health behavior and complementarity with motivational interviewing. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 9(18). https://doi.org/10.1186/1479-5868-9-18.

Ryan, R. M., & Deci, E. L. (2020). Intrinsic and extrinsic motivation from a self-determination theory perspective: Definitions, theory, practices, and future directions. Contemporary Educational Psychology, 61, 101860. https://doi.org/10.1016/j.cedpsych.2020.101860.

Ryan, R. M., & Deci, E. L. (2017). Self-determination theory: Basic psychological needs in motivation, development, and wellness. Guilford Press.


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