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Quando o Amor tem patas

Quando o Amor tem patas

Por Bem Estar Mental
04 novembro, 2025
Leitura de 3 min

Num mundo cada vez mais acelerado, os animais de estimação recordam-nos a importância de abrandar e viver o presente. O olhar de um cão, o ronronar de um gato ou a simples presença de um animal têm o poder de acalmar, reconfortar e recentrar. Ajudam-nos a regular emoções, diminuir a solidão e reforçar o sentido de propósito.

Mas, para que esses benefícios se tornem duradouros, é essencial reconhecer e valorizar os recursos emocionais e sociais que nascem dessa ligação única entre humanos e animais.

Se ainda não tem um animal e pensa em adotar

O vínculo entre humanos e animais traz desafios — como custos, tempo, culpa e até o luto. Uma relação saudável começa com consciência e preparação.

Antes de adotar, reflita:

  • Escolha o animal de forma informada, considerando tempo, espaço e estilo de vida.
  • Garanta o bem-estar físico e emocional: alimentação, cuidados veterinários, estímulo e afeto.
  • Respeite as necessidades naturais: descanso, exercício e interação.
  • Promova empatia e educação sobre o cuidado animal na comunidade.
  • Respeite também quem não tem animais e os espaços partilhados.

Adotar com consciência é o primeiro passo para um vínculo saudável e feliz, tanto para si como para o animal.

Apego — a ligação emocional

O apego nasce do tempo, do cuidado e da dedicação. Transforme os momentos com o seu animal em pausas conscientes: respire fundo, esteja presente e desligue-se das preocupações.

Gestos simples — um toque, um olhar ou uma brincadeira — fortalecem a ligação. Repare como o seu humor influencia o animal… e como o dele também afeta o seu.

Um apego seguro promove equilíbrio e estabilidade emocional, enquanto vínculos muito intensos podem gerar maior vulnerabilidade. O ideal é uma ligação afetuosa, mas equilibrada.

Humanização — empatia e equilíbrio

É natural ver o animal como amigo, confidente ou membro da família. Essa empatia fortalece o bem-estar emocional e reduz o isolamento, mas deve ser vivida com equilíbrio.

Os animais têm linguagem e necessidades próprias. Evite projetar emoções humanas em excesso — isso pode causar frustração quando o animal não reage como espera. A ligação mais saudável é realista, respeitosa e recíproca.

Garantir o conforto, segurança e saúde do animal é essencial para que ele também promova o bem-estar do dono.

Compromisso — o cuidado responsável

O compromisso é o lado prático do amor pelos animais. Implica tempo, dedicação e investimento ao longo da vida do animal.

Pergunte a si próprio se está realmente disposto a ajustar a sua rotina para manter o seu animal de estimação e até que ponto está comprometido com o seu bem-estar.

Assuma este compromisso com equilíbrio — cuidar em excesso ou sentir culpa constante pode gerar stress. Planeie tempo, custos e recursos.

Integração — o animal na rotina diária

A integração mostra o quanto o animal faz parte da sua rotina. Quanto mais presente ele estiver, maior será o contributo para o seu equilíbrio emocional.

  • Rotina: horários regulares para alimentação e passeios criam estrutura e bem-estar.
  • Companhia: ter o animal por perto ao estudar, trabalhar ou relaxar transmite calma e segurança.
  • Família: envolver crianças, idosos ou pessoas dependentes nos cuidados reforça laços, empatia e alegria.

Dicas práticas

  • Reserve 5 minutos por dia para praticar atenção plena com o seu animal.
  • Cultive um vínculo afetuoso, mas com respeito e autonomia para ambos.
  • Planeie tempo e custos — um compromisso saudável é sempre sustentável.
  • Brinque, passeie e cuide do seu animal todos os dias, nem que seja por pouco tempo.
  • Ao fim de semana, descubram lugares verdes ou façam algo novo juntos.

Pequenos gestos diários criam grandes resultados - promovem a regulação emocional, aumentam a sensação de tranquilidade e contribuem para uma melhoria global do bem-estar e da qualidade de vida.


Referências

Brooks, H. L., Rushton, K., Lovell, K., Bee, P., Walker, L., Grant, L., & Rogers, A. (2018). The power of support from companion animals for people living with mental health problems: A systematic review and narrative synthesis of the evidence. BMC Psychiatry, 18(1), 31. https://doi.org/10.1186/s12888-018-1613-2

Goma, A. A., & Kieson, E. (2025). Investigating how the human–animal bond shapes pet wellness in later life from the owner’s perception. Veterinary Sciences, 12(8), 713. https://doi.org/10.3390/vetsci12080713

Human Animal Bond Research Institute. (2022). HABSCORE theoretical framework: Measuring the human–animal bond. HABRI. https://habri.org/assets/uploads/HABSCORE-Factsheet.pdf

Lass-Hennemann, J., Schäfer, S. K., Sopp, M. R., & Michael, T. (2022). The relationship between attachment to pets and mental health: The shared link via attachment to humans. BMC Psychiatry, 22(1), 586. https://doi.org/10.1186/s12888-022-04199-1


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